
PROTOCOLO – CONTROLE BIOLÓGICO DA BROCA (MOLEQUE – Cosmopolites sordidus) DA BANANEIRA
FIGURA 1 Adultos do moleque‐da‐bananeira infectados pelo fungo Beauveria bassiana
A broca‐da‐bananeira é relatada como o principal inseto praga da cultura, sendo encontrada em quase todos os países produtores de banana. Quanto à suscetibilidade da bananeira ao C. sordidus, não há entre as espécies e variedades de bananeiras cultivadas, nenhuma que se possa considerar verdadeiramente resistente ao ataque desta praga, mas há diferenças consideráveis quanto à suscetibilidade ao ataque. No Brasil, foi observado que os cultivares Maçã e Terra são mais atacados que Prata, Nanica e Nanicão.
ASPECTOS MORFOLÓGICOS E BIOLÓGICOS
O inseto adulto é um besouro que mede cerca de 11 mm de comprimento por 4 mm de largura e possui coloração preta (Figura 2). Apresenta um “bico” proeminente, característico da família Curculionidae. Tem hábito noturno, abrigando‐se durante o dia nas touceiras, bainhas das folhas e restos de cultura. O adulto pode viver de alguns meses até dois anos. As fêmeas, com suas mandíbulas, abrem pequenas cavidades no rizoma ou na base do pseudocaule, onde colocam seus ovos durante o ano todo. Uma fêmea coloca no campo, em média, cinco ovos por mês, variando no decorrer do ano em função da temperatura e alimentação. O número total de ovos colocados pode atingir 100 em alguns casos e o período de incubação situa‐se entre 5 e 8 dias. As larvas apresentam coloração branca, são ápodas e quando completamente desenvolvidas alcançam 12 mm de comprimento (Figura 3). O período larval varia de 14 a 48 dias, após os quais as larvas dirigem‐se para as extremidades das galerias próximas da superfície externa do rizoma preparando câmaras ovaladas, onde se transformam em pupas e permanecem nessa forma por um período 7 a 10 dias (Figura 4). O ciclo evolutivo oscila de 23 a 70 dias, conforme as condições climáticas.
FIGURA 2 – Adulto do Moleque-da-bananeira
FIGURA 3 – Larva do Moleque-da-bananeira
FIGURA 4 – Pupa do Moleque-da-bananeira
PREJUÍZOS
As primeiras manifestações de ataque da broca se caracterizam externamente pelo aspecto da planta, cujas folhas amarelecem, e pelos cachos que se tornam pequenos. Entretanto, esses sintomas exteriores de ataque não são específicos, podendo ser causado por outros agentes. Estima‐se que, no Brasil, ocorra uma redução média de 30% na produção, devido ao seu ataque. O dano direto é causado pela larva que penetra e broqueia o rizoma, construindo galerias em todas as direções (Figura 5), provocando os sintomas acima descritos. As galerias abertas propiciam a entrada de microrganismos fitopatogênicos, entre os quais se destaca o Fusarium oxysporum f. cubense, responsável pela doença conhecida como “Mal do Panamá”. É comum em plantações intensamente atacadas, a queda de plantas que já lançaram cachos, devido à falta de um sistema radicular vivo, suficiente para sustentar o acréscimo de peso dos mesmos.
FIGURA 5 – Galerias construídas por larvas do moleque‐da‐bananeira
CONTROLE BIOLÓGICO COM O FUNGO Beauveria bassiana
MODO DE APLICAÇÃO DO FUNGO BEAUVERIA BASSIANA
- Aplicação com pulverizador costal sobre iscas de rizomas da bananeira.
- Dosagem : 200 gr Beauveria Bassiana + 200 ml Melaço para 20 Litros de água.
- Aplicação : Aplicar sobre iscas de rizomas da bananeira, esparramadas pela área.
- Aplicação na água de irrigação.
- Dosagem : 500 gr Beauveria Bassiana + 1 L melaço por hectare.
- Intervalo de aplicação : 30 dias.
- Aplicação : Aplicar preferencialmente durante período chuvoso.
É fundamental observar que o controle biológico é um processo lento, ao contrário do controle químico, sendo que a duração do ciclo da doença é muito dependente das condições ambientais, principalmente a germinação, penetração e reprodução do fungo, fases que são muito influenciadas pela temperatura e umidade. Dependem também das condições nutricionais e suscetibilidade do hospedeiro. Em razão disso o tempo para ocorrer a morte do inseto pode levar de 6 a 12 dias. O inseto atacado pelo fungo B. bassiana apresenta o corpo esbranquiçado ou levemente amarelado, conseqüência da presença de estruturas vegetativas e/ou reprodutivas do fungo (Figura 1). No período em que está se desenvolvendo a doença o inseto tem seu comportamento alterado, tornando‐se mais lento e presa fácil para predadores e parasitos.
RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se que no decorrer desse período, insetos de broca do rizoma sejam encontrados mortos, colonizados pelos fungos, conforme ilustrado nas fotos abaixo:
MONITORAMENTO DO MOLEQUE-DA-BANANEIRA
MONITORAMENTO TRADICIONAL
- Em uma área de um hectare (100 m de largura por 100 metros de comprimento), colocar 20 iscas do tipo telha, conforme ilustrado abaixo. Pulverizar a isca com pulverizador costal : 200 gramas Beauveria Bassiana + 200 ml melaço de cana-de-açucar para 20 litros de água.
- Sete dias depois fazer a contagem dos insetos.
- Nivel de dano econômico: se encontrar acima de 5 insetos por isca, em média, iniciar o controle.
Obs. Para fazer a isca, utilizar troncos de plantas recém-colhidas.
MONITORAMENTO ADICIONAL
Conforme sequência de fotos abaixo, avaliar rizomas de plantas recém colhidas, em vários pontos na área, e com o auxílio de um facão ir “descascando” o pseudocaule e rizoma como se fosse um abacaxi, e ir avaliando presença de galerias, larvas e adultos do moleque-da-bananeira.
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
- MONITORAMENTO – Antes da realização de qualquer tipo de controle, deve ser feito o monitoramento da praga com vistas a se ter conhecimento da sua população. É através da amostragem que se detecta a presença da praga e a tendência do crescimento populacional, a ocorrência de inimigos naturais e a mortalidade provocada por outros fatores do ambiente. As amostragens periódicas são importantes para a determinação do momento de controle de uma praga, ou seja, do nível de controle.
- CONTROLE CULTURAL – Os meios culturais de combate à praga são baseados na limpeza do bananal com a destruição dos restos de pseudocaules e eliminação de folhas velhas, materiais que são fontes de abrigo, alimento e reprodução de pragas.
- MUDAS DE QUALIDADE E ISENTAS DE PRAGAS E DOENÇAS – Recomendamos a aquisição de mudas desenvolvidas em Laboratórios idôneos, certificados, de boa procedência.
- O Controle biológico com o fungo beauveria bassiana visa estabelecer na lavoura uma população dos fungos, que são predadores da broca do rizoma.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
- Controle biológico de brocas da bananeira – INSTITUTO BIOLÓGICO – Coordenação Harumi Hojo.